quarta-feira, 11 de abril de 2012

Indignação!


Hoje vi uma notícia que me causou extrema vergonha de ter nascido no Brasil!
A notícia em questão foi essa: Um jovem de 20 anos, que era menor de idade quando matou um taxista e fugiu para os Estados Unidos voltou hoje ao Brasil, José Rogério Ferreira de Souza foi detido nos EUA como imigrante clandestino e retornou a 13 dias de completar 21 anos. Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), menores que se envolvem em crimes no Brasil só podem ficar apreendidos por no máximo três anos ou até completar vinte e um anos de idade. O rapaz deixou Minas Gerais quando tinha 17 anos, logo depois de ser denunciado por um crime que chocou a cidade de Teófilo Otoni, no norte do estado: o assassinato do taxista Heraldo de Souza, de 68 anos. Depois de receber um telefonema, Heraldo foi até a zona rural, há 30 km de Teófilo Otoni. Ele pegou três rapazes e começou a viagem de volta. No meio do caminho, o taxista foi morto por causa de um celular, um relógio e de R$ 70 que tinha no bolso. Logo em seguida, dois ladrões foram presos. O terceiro era José Rogério.O policial que achou o corpo ouviu dos ladrões presos o que aconteceu durante o assalto. Segundo o investigador Sanderson Soares, o taxista inclusive clamou pela sua vida. “Mas aí veio o veredicto final, o menor decidiu que o taxista tinha que morrer”, afirmou. “Ele entendeu que seu Heraldo vivo iria facilitar a localização e a identificação que eles eram assaltantes”, disse.Os dois ladrões presos foram condenados a 29 anos de prisão. Três anos e sete meses depois, a volta do menor à cidade deixa trêmula a mulher do taxista. “Eu estou sem poder decidir porque eu tenho medo”, afirma Nanci Matilde Lobo.O chefe da divisão de capturas Valdomiro Milanese afirmou que a legislação precisa ser modificada para que seja dada uma resposta à sociedade.
José Rogério será solto no dia 25 de abril. Na sexta-feira (13), ele será levado a Teófilo Otoni.



Não esqueçam este rosto e o nome dessa pessoa: José Rogério Ferreira de Souza.


Galera! Pense se uma coisa dessas acontece com o seu pai, tio, sogro, irmão, sobrinho, primo, enfim!
Esse rapaz ao ser preso não demonstrou qualquer tipo de remorso ou arrependimento pelo que fez! Ele tirou a vida de um ser humano a troco de nada!
Onde entra o ECA (Estatuto da criança e do adolescente), nisso aí! O ECA foi criado a mais ou menos há uns vinte anos atrás, deveria ser um mecanismo legal para proteger as nossas crianças e adolescentes de abusos e maus tratos. Mas hoje o ECA serve apenas pra proteger criminosos, “homens” de 15,16,17,18,19,20 anos que sabem muito bem o que estão fazendo, e eu me recuso a chama-los e trata-los como menores, crianças!
E estou falando isso, como alguém que trabalha diretamente com crianças e adolescentes, sou professora! E sei muito bem! Que se a criança ou o adolescente não tenha nenhuma deficiência que atrapalhe o seu desenvolvimento cognitivo ou psicossocial eles são plenamente capazes de saber e discernirem entre o que é certo e o que é errado!  E digo mais pré-adolescentes de 10 a 12 anos, sabem o que é certo e o que é errado! Quando o Eca fizer o seu verdadeiro papel, que é proteger a infância e a adolescência, em vez de proteger o crime, veremos realmente uma mudança real no Brasil. Sei que essa mudança na legislação (maioridade penal) levaria a uma série de implicações, como abrir brechas para que o trabalho infantil volte a ser usado, as relações sexuais com menores sejam descriminalizadas como estupro de vulnerável. Mas o que a sociedade brasileira não pode permitir e que criminosos continuem a ser beneficiados por um estatuto sem noção e cheio de contradições, que acredito eu, foi criado por pessoas que nunca tiveram contato com crianças e adolescentes!  Ou que crianças e menores continuem a ser usados como soldados de infantaria para o crime organizado. E o disparate em nossa lei são gritantes, um adolescente aos 16 anos pode votar (voto facultativo), mas se esse mesmo adolescente cometer um crime ele não tem capacidade mental para assumi-lo! Não entendo! Tem capacidade mental para votar, e não pode discernir moralmente e pagar pelo crime praticado! Ou o jovem é usado em sua “incapacidade”, para servir de massa eleitoral
A sociedade brasileira precisa reagir e pensar sobre essas questões!
Fica aqui o desabafo de uma professora uma brasileira que não aguenta mais de vergonha desse país!

sábado, 10 de março de 2012

Quem não pensa, não tem problemas!





Agora! Quer ter problemas comece a pensar demais! E tenha principalmente um pensamento que destoe do que é pensado pela grande maioria!
Eu ultimamente tenho tido problemas com familiares, amigos, no trabalho, facebook. Este último até já desisti de usar está todo bloqueado! A grande maioria das  minhas postagens não são mais públicas, então acabo nem postando nada! Quando posto alguma coisa que julgo que vai incomodar algumas pessoas em questão. Posto com a opção "Somente eu'', que fica visível somente para mim. Ou, então posto no perfil de algum amigo especifico, escondendo de todos os outros! Teve inclusive pessoas muito queridas por mim, que se mostraram verdadeiros trolls! Com toda a acepção do termo! Se mostrou intransigente com  minha opinião sobre determinado assunto, entrou na discussão somente para aparecer! E desqualificou totalmente a minha pessoa, como se eu não tivesse nenhuma inteligência ou vivência sobre o assunto! 
O que eu fiz com essa pessoa depois do ocorrido? Meu primeiro impulso foi tirá-la da minha lista de amigos do facebook. Mas lembrei que essa pessoa já havia sido retirada antes, então resolvi bloqueá-la totalmente! Inclusive usei todas as ferramentas de bloqueio possíveis no facebook para impedir que ela ao menos veja o meu perfil na rede social.
 Outra fonte de problemas com pensamentos destoantes é com a família! Começa com a minha aparência! Acham que se eu não estiver mostrado os ossos e sem barriga nenhuma! Tipo mostrando as costelas...acham que meu marido vai me abandonar! Quem pensa isso especificamente é a minha mãe! Ela acha realmente que quem é magro é que é feliz! E que a felicidade de um ser humano está condicionado aos seus quilos à mais ou a menos.Quer porque quer que eu me cuide, faça caminhadas debaixo de um sol de lascar! Tenho até medo de comer na frente dela! Sem esquecer é claro daqueles familiares que agente passa muito tempo sem ver, mas no dia que você encontra, ele te analisa da cabeça aos pés...Aí é esperar pelo veredito: "Nossa como você está gorda!'' ou "tá magra demais! Ou tá doente!''. Mas as perguntas que irritam mais é sobre a minha vida reprodutiva! "Vai ter filho, quando!" ou essa incrivelmente irritante! "Tem que ter filho logo, tá ficando velha!''. Antes eu ainda tentava explicar as minhas razões para não ter filhos! Mas cheguei a conclusão, que mais uma vez não penso como a maioria! Não acho que por ser mulher a minha função seja a de simplesmente parir! E aceitar com resignação a sagrada função da maternidade. E esquecer que como ser humano tenho planos e projetos que ainda são incompatíveis com a maternidade. Antes realmente, não queria ter filhos de jeito nenhum!  Mas hoje já cogito essa possibilidade no futuro!
Trabalho...quais são os meus problemas? Forma de pensar diferente, sinceridade e a matéria que leciono!
Bom, por onde começar! Sou professora de História! Uma disciplina que a grande maioria odeia, que ninguém presta muita atenção! Há não ser quando ela toca em assuntos espinhosos e joga a verdade nua e crua na cara dos mais conservadores! Bem um desses tópicos espinhosos está no livro didático do Sexto Ano do Ensino Fundamental: Teoria evolucionista x Teoria criacionista.Trocando em miúdos a primeira está de acordo com a ciência e a outra corrobora com a visão religiosa! Pois bem, quem determina que essas teorias devem ser ensinadas  e o MEC por meio dos PCNs (Parâmetros curriculares nacionais). Eu como professora acho extremamente importante o ensino dessas duas visões sobre o surgimento do mundo e dos seres vivos! O problema é que por mais que você explique para os alunos que você não está falando mal da religião em si, e sim que você está explicando sobre visões de mundo. O assunto sempre descamba para pergunta: "Professora- Qual é a sua religião?''. E não adianta querer sair pela tangente! Dizendo simplesmente: ''Eu não sigo religião!'', crianças e adolescentes costumam se aprofundar muito nessas questões! Aí!Logo,logo! Vem a segunda pergunta: "Professora! Você não acredita em Deus!'', Eu como eu disse sou sincera! E respondo! Não! Eu não acredito! Mas eu não acredito por motivos meus! Mas não adianta! Pensar diferente é isso aí ! E ser questionada pela coordenadora pedagógica, o porque que você disse isso! Cometeu o crime de destruir o mundinho de faz-de-conta! Porque a mãe enlouquecida, foi até a direção da escolar falar da sua indignação por ter uma professora que ousa pensar! E têm um pensamento diferente! E a mamãe zelosa ainda foi mais longe ainda: Como pode isso nós somos católicos e uma professora ateia! Mas o que ela quis dizer foi seguinte: uma professora que não acredita em deus, não deve ter nenhum conceito moral! Daqui a pouco vai ensinar um monte coisas erradas para a minha filhinha! Pois a nossa família é católica e somente nós temos moral! Enfim sofro os preconceitos típicos de quem ousa sair do conforto de não pensar! Estou cagando e andando para quem acha que eu não tenho caráter, só porque não acredito em faz-de-conta! Me linchando mais ainda, para quem acha que eu tenho que seguir um padrão de aparência para ser feliz! Dane se quem acha que eu deveria aceitar que por ser mulher, eu devo ter uma vida comum e pré estabelecida como da grande maioria das mulheres!
Mas sinto, que pela minha segurança tanto física quanto mental devo me calar e usar o meu silêncio como arma! Como professora, é com coração doendo que decidi a partir do ano que vem pular os devidos capítulos sobre a teoria evolucionista, que Charles Darwin e Carl Segan  me perdoem! Como pularei de hoje em diante os capítulos sobre: A Reforma e contrarreforma religiosa  e Iluminismo!
Cheguei a conclusão depois de todos esses episódios, que o mundo não está preparado para pessoas como eu! E seremos sempre massacrados e ridicularizados, enquanto o mundo não se adaptar a verdade  como ela é! Nós incomodamos e ameaçamos os que têm medo de assumir as consequências   de pensar!
Mas tenho esperança, que mais e mais pessoas iguais a mim estão em toda parte e nascendo em todos os cantos! Crianças curiosas como eu fui, e adultos corajosos e livres mentalmente como eu sou !

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Respondendo a alguém sobre superação







Estava eu vendo algumas postagens em um blog que eu adoro e deparei me com um relato de uma garota de 21 anos com a auto estima no pé resolvi dizer algumas coisas para ela.
 Não sei se ajudei!


 Deixa eu te contar uma coisa! Eu sou baixinha um pouco fora do peso,não sou uma mulher necessariamente bonita! Na adolescência aí que a lasqueira era geral! O meu rosto era cheio de espinhas eu tinha um cabelo totalmente horroroso sex appel nenhum, ou melhor não tenho isso até hoje! E ainda sofria Bullying na escola. O tempo foi passando, fui amadurecendo, fiz faculdade, me casei! Percebi que o que nos faz ser amanda é o que nós somos por dentro! Aprendi isso a pouco tempo com o meu marido. Eu tava desesperada com o rosto cheio de manchas(melasma), bem fora do peso, e meu marido mesmo assim dizia que eu estava linda e que não precisava mudar em nada! E que o amor dele estava acima de qualquer coisa! Entenda ele não falou em nenhum momento que eu precisava emagrecer ou que meu rosto estava manchado!

Também achei aos 21 anos que ia morrer sozinha!Aos 25 anos, época que conheci meu marido, já estava decidida a não buscar mais nenhum relacionamento!

Aí ele apareceu eu percebi o quanto eu procurava um amor nas pessoas erradas! Hoje sou capaz de detectar um cara babaca a quilômetros de distância! Comparando-os ao meu marido que não é machista, que valoriza o ser humano independente de gênero. percebo que os babacas têm sempre as mesmas características são: machistas,enxergam as mulheres como objetos e as dividem em feias,bonitas, para casar,transar.

Emfim acho que você precisa aprender a dar um foda-se para o mundo! Precisa aprender a se aceitar! Eu mesma não sou bonita, mas me acho! Quando vou sair para algum evento, arraso! Passo maquiagem, descobri a roupas que combinam com o meu biotipo! Um batom vermelho gata... Levanta qualquer astral! E principalmente não caia na onda dos babacas! Se você perceber que o cara é babaca, sai fora dele! Agora se você decidir ficar com um babaca aprenda a usa-lo também sem neuras! Foi assim que já me diverti bastante na vida! Já fiz babacas ficarem aos meus pés! Pense nisso!

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Omayra Sánchez

Não tenho o costume de postar mais de uma vez ao dia no blog, mas vasculhando a net me deparei com essa foto que reavivou me lembranças de minha infância. A minha primeira reação foi... Eu já vi essa garotinha em algum lugar dessa mesma forma, dentro de um poço com água até o pescoço! O choque foi quase que imediato! O que a garotinha das minhas lembranças infantis fazia ali na net?


Eis a sua história.

Omayra Sánchez tinha 13 anos em 1985 e estava em  um poço presa pela cintura por escombros de sua casa que desabou devido a explosão do vulcão Nevado Del o Ruiz na Colômbia que arrasou o povoado de Armero. A erupção matou matou 25 mil pessoas e feriu 800mil. 
Omayra lutou pela a vida durante 3 dias e sua agonia foi amplamente coberta pela grande mídia em tempo real, inclusive os seus momentos finais em que ela se despede da vida e ora para que seus pais também mortos no desastre estejam bem onde estiverem.
Daí vem as minhas vagas lembranças, misturadas a muitas da minha infância sobre essa garotinha! Eu também acompanhei essa agonia pela televisão,  mesmo sem ainda ter o discernimento para entender o que realmente lhe estava acontecendo. Passados 27 anos depois desse fato me pergunto? Levaram toda uma parafernália para filmá-la e não foram capazes de fazer esse mesmo esforço para salvar a sua vida!. Alegavam que não era possível tirá-la dos escombros, sem que sua coluna fosse partida, a moto-bomba para retirar a água que foi  pedida as autoridades locais nunca chegou. Mas a grande mídia estava lá em peso e cobriu a agonia de Omayra segundo a segundo, a fotografia que foi feita Frank Fournier  marca o início do que chamamos de globalização.











Essas imagens me provocam um grande desconforto uma vontade de fazer alguma coisa!
Impossível! Não é possível voltar no tempo! Essa imagem me angustia mais ainda, pois me faz pensar em como grande mídia trata as grandes tragédias humanas, sejam elas naturais, provocadas por guerras ou ocasionadas pelo infortúnio! É tudo um produto a ser vendido, acho que eles até torcem para alguém morrer, um crime acontecer, uma guerra, uma tragédia! Se o mundo está em paz...Revistas não são vendidas, telejornais não tem audiência. Visto o grande desrespeito que a mídia tem com a vida privada de algumas celebridades. Emfim o mundo assim como está é um grande produto a ser vendido. Eles manipulam o real, destorcem a verdade e manipulam os sentimentos das pessoas! O que venderia mais? O resgate de Omayra Sanchez ou a sua lenta agonia rumo a morte? Eu respondo: O fotografo que registrou o sofrimento da menina ganhou vários prêmios. Com certeza na época emissoras do mundo inteiro deve ter batido recordes e mais recordes de audiência! Omayra não lucrou em nada, não cresceu perdeu toda uma vida de várias possibilidades!
A favor do espetáculo midiático nada foi feito e um ser humano perdeu o seu bem mais precioso a vida! 
De Omayra Sánchez fica para o mundo, a sua vontade de viver! Ela à todo momento pensava na vida, em voltar para a escola e orava pela mãe! Acho que é por tudo isso que a imagem dessa garotinha me acompanhou até hoje e sua vontade de viver persiste em minhas memórias!

Despedida de Omayra Sánchez:





O pior de cada um de nós

Este texto foi postado inicialmente no blog: A voz da espécie.O autor é  Camilo Gomes Jr. 
Mas li este texto em um blog que eu simplesmente adoro o Bule Voador. O que esse texto tem de interessante é que ele é um tapa na cara de todos nós que nos consideramos seres humanos! Seres humanos, claro! Todos o que de certa forma compartilham conosco a mesma esfera psicológica, social e principalmente econômica!  

Então nessa manhã de sábado li esse texto e ele me incomodou! E me fez pensar muito em minhas atitudes diárias para com o meu próximo! Se incomode com ele também o mundo precisa de pessoas incomodadas!

Segue o texto na integra!




Numa de suas obras, Nietzsche escreveu: “nada percebemos de injusto, quando a diferença entre nós e outro ser é muito grande, e matamos um mosquito, por exemplo, sem qualquer remorso” (Humano, demasiado humano. São Paulo: Companhia das Letras, 2005, p. 63). Nesse conciso pensamento, podemos encontrar a descrição precisa de um traço humano, demasiado humano, que ao mesmo tempo revela muito do pior que há nos indivíduos de nossa espécie. Sem dúvida, é um fato bem intrigante que a imensa maioria das pessoas em todo o planeta não hesitaria um segundo sequer antes de esmagar uma formiga (sobretudo, se esta lhes houvesse picado) ou uma barata avistada a passear por sobre as panelas e alimentos em sua cozinha, ao passo que um número menor de pessoas seria capaz de matar um cão com a mesma consciência tranquila, sendo ainda menos numeroso o conjunto daqueles dispostos a matar um chimpanzé, sem remorso algum, pelos motivos mais banais que justificam nossos atos de inseticídio.
Essa distinção intuitiva que fazemos entre seres vivos menos e mais próximos de nós na árvore evolutiva, que parece gerar essa instintiva reação de repulsa por matar um chimpanzé que normalmente não sentimos diante de uma barata, pode ser contudo reprogramada de diversas outras maneiras. Como? Ora, pela adesão intelectual a alguma ideia. Ideias que povoam a cultura à nossa volta podem recondicionar muitas de nossas respostas instintivas e psicológicas a estímulos externos. Por isso, quase todo vegetariano e grande parte daqueles que mantêm uma dieta carnívora têm reações praticamente opostas diante da cena de um boi sendo abatido num matadouro. Uma ideia é um vírus, que, quando infecta nossas mentes, via de regra nos subjuga — visto que nos livrarmos de ideias das quais nos convencemos não é um feito menos prodigioso do que escalar o Everest. (Como bom mineiro, sempre gostei de frango com quiabo, bifes de boi acebolados e feijão tropeiro com muito torresmo e linguiça suína. Porém, outro dia vi na TV uns coreanos comendo carne de cachorro frita. A sensação de nojo foi imediata. Mas… como pode? Por que não sinto o mesmo diante de um cheiroso pernil de porco? A resposta não é senão o tabu — um tipo de ideia que nos é inculcada acerca do que é e do que não é permitido, segundo determinado código de valores numa dada cultura.)
Enfim, ideias são perigosas, poderíamos dizer sem muito exagerar. Elas têm o poder de controlar nossas vidas. Por isso, uma postura cética, pela qual busquemos sempre submeter as ideias que mais peso têm sobre nossas vidas a seguros testes de validade disponíveis, é algo tão precioso para a espécie humana. Porém, para nossa infelicidade, apenas muito recentemente em nossa história isso se tornou uma prática entre nós e, o que é ainda pior, uma prática não adotada pela imensa maioria dos 7 bilhões de pessoas que hoje povoam a superfície da Terra. A maioria ainda mantém como verdades absolutas suas ideias pessoais sobre crenças religiosas, sobre a sexualidade, sobre os papéis sociais, sobre os papéis sociofamiliares de cada gênero, sobre a melhor ideologia política, a filosofia mais adequada à vida moderna etc. O maior problema disso, como eu já disse, é que não somos donos de nenhuma dessas ideias; elas é que se fazem donas de nós. Num mundo superpopuloso, onde tantos abraçam cegamente as mais conflitantes visões, o preconceito, o racismo, a misoginia, a impunidade dos pares e a condenação dos diferentes, dentre tantos outros males sociais, revelam-se apenas consequências previsíveis dessa postura acrítica e crédula. Infelizmente.
Já escrevi um texto (“Nós e o resto: por que os humanos não se veem como iguais“) em que discorri sobre a história evolutiva de nossas visões sectárias, das tribos de ontem às classes sociais que fingem coexistir em paz no espaço urbano hodierno. E enfatizo que é importante ter em mente que as ideias têm um poder perturbador: o de transformarem nos insetos desprezíveis de que Nietzsche falava outros membros de nossa própria espécie, outros humanos como nós mesmos. Ideias podem transformar uma pessoa numa barata esmagável sem a menor sombra de remorso. O holocausto dos judeus sob o nazismo é um exemplo emblemático disso. Outro triste exemplo, bem mais corriqueiro, o Brasil inteiro pôde testemunhar recentemente.
No início deste mês (fevereiro de 2012), na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, cinco jovens resolveram se divertir importunando um pobre mendigo na rua — e não sejamos hipócritas; isso infelizmente não é novidade: como sabemos, este é o mesmo país onde alguns jovens, filhos de famílias ricas e importantes, queimaram vivo, “por diversão”, um índio que dormia num ponto de ônibus em Brasília e se justificaram dizendo que não sabiam que era um índio, que haviam pensado que era um mendigo. (Sim, essa sensível justificativa consta dos depoimentos tomados.) Dessa vez, contudo, dois jovens que presenciaram a agressão ao mendigo resolveram interferir. Resultado: conforme depoimento de Kleber Carlos Silva, um dos rapazes que intervieram, enquanto um sexto agressor se juntou ao grupo dos importunadores de mendigos e segurou Kleber, os outros espancaram violentamente seu amigo, o estudante Vítor Suarez Cunha, de 21 anos. Vítor levou vários chutes na face e na cabeça e teve de ser submetido a uma cirurgia em que 63 pinos e 8 placas de titânio foram implantados em seu rosto e crânio.
Segundo o delegado encarregado do caso, embora o grupo contasse mesmo seis jovens, apenas cinco dos suspeitos teriam participado da agressão; o outro apenas teria assistido a tudo, sem se envolver diretamente, por isso este foi ouvido na delegacia e, depois, liberado. Dos que a polícia considera terem tido participação ativa, o único que ainda não havia sido preso apresentou-se na tarde de quarta-feira, 8 de fevereiro, acompanhado de seu advogado. Além disso, um outro fato que chamou a atenção foi o de que esse mesmo grupo, segundo consta, não é estreante na arte de agredir covardemente os mais fracos. Depois da divulgação da notícia de que haviam sido presos, outras pessoas apareceram denunciando abusos sofridos por parte de alguns dos rapazes detidos.
A agressão contra Vítor e seu amigo pode-se entender (eu disse entender, de um ponto de vista objetivo, não justificar), quando se leva em conta o histórico violento de jovens que integram um grupo com um típico perfil de gangue. Ao defenderem o mendigo, Vítor e Kleber se intrometeram no que não lhes dizia respeito, e isso não podia ficar barato. A agressão condiz com o comportamento troglodítico padrão desses grupos, sempre propensos a responder com violência, de forma inconsequente. Mas o que me assusta acima de tudo é o início dessa confusão, que acabou de modo tão trágico para os dois únicos jovens que tiveram uma atitude solidária. O que me causa arrepios é pensar no porquê de um mendigo ser escolhido gratuitamente para servir ao sádico divertimento de um grupo de jovens que claramente não se guiam por uma moral fundada numa sólida base humanitária.
É quando voltamos ao perigo das ideias e do poder que elas têm de transformar homens em insetos desprezíveis. A ideia de que algumas pessoas seriam superiores a outras não é nenhuma desconhecida nossa. Ela acompanha as diversas sociedades humanas desde os primórdios de nossa história. Mesmo em nossos dias, mesmo em nosso país, ela está por aí, por toda parte — e com frequência a expressão dessas ideias discriminadoras entre os melhores e os piores, os mais e os menos, a maioria (autoritária) e a minoria (que deve se manter reprimida) são flagrados nas redes sociais. Não pensem que mendigos servindo de objeto de zoação para jovens sádicos seja aprovado apenas por uma insignificante minoria dos que passam o dia no Twitter, no Facebook ou em redes afins. Indivíduos que se julgam de algum modo superiores a outros pululam nesses sites: inúmeras postagens expressando o que há de pior contra homossexuais, nordestinos, ateus, pobres, mulheres que desfrutam de sua liberdade sexual como querem…
Para citar um caso que chamou minha atenção, no que diz respeito aos jovens que agrediram o mendigo e espancaram o estudante que interferiu, nada menos do que um soldado da Aeronáutica usou seu perfil no Facebook para se manifestar em defesa dos agressores. Para ele, seus “manos” não haviam feito nada de mais. Mas não só isso. Ele criticou a polícia e a Justiça pela prisão dos suspeitos e, quando uma jovem se manifestou, dizendo ser amiga do estudante Vítor e estar horrorizada com a brutalidade do que haviam feito a ele, o soldado Yuri M. Ribeiro respondeu: “Que pena, ninguém mandou seu amigo se meter na briga“. (Na briga? De seis homens jovens e bem nutridos contra um pobre mendigo?) A moça, indignada, se exalta: “Ele foi homem, uma coisa que você pelo jeito não seria na hora“. É então que o soldado deixa sua tréplica mais do que lamentável: “Se eu estivesse na hora, ele não sairia vivo!” (Em minha cabeça, uma pergunta: e esse sujeito é um militar em meu país?) Diante do comportamento de seu soldado e das provas apresentadas contra ele, a FAB acabou expulsando Yuri Ribeiro. Convenhamos, o mínimo que poderia ter feito.
Identificado e encontrado pela polícia, o referido mendigo, por sua vez, agora se recusa a apresentar denúncia. Diz que não se lembra de nada daquela noite. Pode-se entender por quê. Infelizmente, ele sabe que, denunciando ou não, sua vida continuará a ser nas ruas. Nas ruas de um país onde, para muitas pessoas, não há nada de mais em se divertir com um mendigo, mesmo que isso signifique agredi-lo ou atear-lhe fogo. O miserável vítima desses jovens criminosos sabe o que é viver uma vida sob os olhares indiferentes ou enojados de tantos que o enxergam, todos os dias, como um inseto asqueroso. Ele sabe que muitos torcem, calados, para que alguém um dia venha e o esmague, como a uma barata imunda, para que não tenham mais que conviver com sua imagem suja e fétida no ambiente à sua volta.
O mendigo sabe o que é ser sujeito passivo na torturante sintaxe que expressa uma terrível ideia.


terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Estupro



 Um tipo de violência que sempre me angustiou em relação as mulheres é o estupro. Até a forma como me foi relatada essa violência me transpareceu desde o começo que a culpa é sempre da mulher ser vítima de estupro.
Lembro até hoje quando perguntei a uma tia e para minha mãe, o que era estupro? Do qual elas me responderam que o estupro acontecia com mulheres que ficavam até tarde na rua, não usavam calcinha. E para finalizar disseram me que o estuprador machucava a "perereca"! Pensem no terror que foi para mim na minha percepção infantil aos sete,oito anos essas explicações.
 Hoje como uma mulher adulta sou capaz de perceber todo o tabu que envolve o estupro, as mulheres são ensinadas como evas pecadoras que elas e que provocam e trazem esse tipo de violência para si! Os homens que são os verdadeiros perpetuadores dessa prática e que são as vítimas... Uma inversão da situação! Duvido com toda certeza que parte da educação do homem seja colocada em pauta pelos pais a questão do estupro. Acho que nenhum dos pais que conheço nem mesmo os meus pais chegaram para seu filho e orientaram: filho não estupre mulheres quando você for um homem adulto! Mas o contrário  sempre acontece com as filhas. Somos ensinadas na mais terra idade a sentarmos com as perninhas fechadas, a tomar cuidado com o cumprimento de nossas saias e shorts, a nos atentarmos se estamos despertando o instinto pervertido e violento de algum exemplar do sexo masculino. 
O que discuto aqui e a cultura machista e violenta na qual estamos todos inseridos, a um indivíduo por ser do sexo feminino lhe é ensinado que temos de nos comportar se não seremos violentadas! E ao outro indivíduo do sexo masculino lhe é ensinado que ele pode tudo por sua superioridade estar pretensamente baseada em um mundo patriarcal , e portanto feito para ele. Não! O mundo não foi feito para eles! Mulheres não são objetos e não estamos aqui para satisfazermos os homens! Apesar de existir uma escritura dita sagrada e toda uma tradição que diga o contrário. Mulheres são seres humanos! Estamos no mundo para desenvolvermos nossas potencialidades sejam elas de acordo ou contrárias ao padrão vigente, temos o direito sim! De beber até cair, de usar a nossa saia ou short do tamanho que nos agradar, flertar com quem quisermos sem que isso nos obrigue ao sexo, transar no primeiro encontro ou não, casar virgem ou não, casar ou se manter solteira! Não sermos enquadradas ou é santa ou e prostituta ou pior! A padronização dos dias de hoje ou é pra casar ou para transar! Não quero ser enquadrada! Quero ser um ser humano que detém o poder de decisão sob meu corpo, minha vida! E nenhuma de minhas decisões me acarrete nenhum tipo de violência! 
Essa luta pelo um mundo menos misógino depende de nos, mulheres!

sábado, 11 de fevereiro de 2012

O que mudou?

Às vezes me pergunto o que mudou ?
Mudou a minha tolerância em relação à tudo! Por exemplo não tenho paciência de travar qualquer tipo de discussão com pessoas com opiniões muito diferentes das minhas. Ok! Entendo que a função do dialogo seja realmente essa: colocar pessoas com opiniões diferentes para debater. Mas sinceramente não tenho o menor saco! Outra coisa não tenho mais curiosidade de conhecer ninguém, fazer amizades me cansam! Outra coisa manter amizades...Tipo assim, amizade à distância é igual a namoro à distância, não dá certo! Perde-se o foco, o interesse! Na verdade aquelas pessoas sempre foram estranhas mesmo. E por um breve momento em algum lugar compartilharam suas vidas! Mas passou! E cada um seguiu o seu caminho e desejo imensamente que sejam muito felizes!
Outra coisa que mudou?
Não acredito no sobrenatural, não acredito em seres superiores, deuses, magia, astrologia, reincarnação e afins...Essas paradas! Acredito no aqui e agora! Acredito no que eu posso fazer para mudar minha vida e tornar mais feliz a vida das pessoas próximas a mim! 
Eu sei que para a maioria das pessoas não creditar no deus cristão é inconcebível! Essa é a opinião delas, respeito, mas para mim não serve! O cristianismo para mim e as demais religiões não passam de mitologia!
Como eu havia dito o mais importante para mim é viver bem e fazer feliz de alguma forma as pessoas próximas a mim! De que forma, por exemplo, a minha mãe precisa que eu a ajude de alguma forma, nem que seja arrumado uma casa. Faço o possível para estar lá! Minha sobrinha precisa ser cuidada, arrumada para ir a escola, ter a sua matrícula paga seus cadernos encapados, uma fantasia para ela usar no baile de carnaval da escola. Tento fazer o possível! Procuro ajudar os meus irmãos...Eles sim são os meus verdadeiros companheiros de vida!
Meu casamento...Guardo essa relação com todo o cuidado como se ela fosse o ouro do meu brasão!
Continuo vivendo, tendo preocupações, crises existências, culpa, medo e dúvidas como qualquer ser humano normal, mas não culpo entidade superior nenhuma por isso e não coloco a responsabilidade da minha vida em nenhuma entidade também! 
O que mudou também?
Não tenho saco para fanáticos religiosos. Aquele tipo que fala dez palavras e nove e sobre deus ou Jesus. Que tudo é em nome de deus, a Bíblia disse, tá escrito ! Não suporto! Mas o tipo de fanático que mais me irrita é aquele em que a ética da sua vida é baseada na ética religiosa em detrimento ao ser  humano. Eles usam isso como justificativa para todo o seu preconceito e burrice!
Enfim! O que mudou é que estou olhando a vida mais serenamente com mais confiança e sem ilusões! 
Quero experimentar todos os sons, gostos e sabores da vida ciente que a sua finitude e certa!
Então quero aproveitá-la ao máximo!